domingo, 4 de março de 2012

Sobre empregadas, amigas e mães...

Histórias Cruzadas (The Help)
Elenco: Emma Stone, Bryce Dallas Howard, Mike Vogel, Allison Janney, Viola Davis,
Ahna O'Reilly, Octavia Spencer, Jessica Chastain, Anna Camp, Eleanor Henry,
Emma Henry, Chris Lowell

Fui ver Histórias Cruzadas "The Help" e não preciso dizer que o filme é bom,
as atuações são ótimas, pois tudo isso já foi dito, já teve até Oscar de melhor
coadjuvante para Octavia Spencer, sem dúvida merecido. O que achei
muito fofo do filme, é ser uma história muito feminina, estou gostando de ver
cada vez mais as histórias contadas pelo lado das mulheres, porque os
homens saem pelo mundo fazendo guerras, mas não tem idéia das
guerras que travamos todos os dias, com as amigas, a mãe, a empregada...

Durante todo o filme me identifiquei muito com as empregadas domésticas
negras, não com as patroas pois lá em casa nunca tivemos empregadas e me
identifiquei de um jeito muito especial, minha mãe foi empregada antes de se
casar, minha tia e também minha avó anos antes. Elas eram brancas, na
verdade, polacas de colônia, tendo que aos 12, 13 anos de idade se mudar para
a casa de alguma "patroa" também branca obviamente, trabalhar como doméstica
ou como babá. Muitas das humilhações, maus tratos que as "maids" do filme
passaram, eu ouvi histórias da minha mãe, da minha avó... com certeza o conflito
que aquelas mulheres negras enfretaram nos Estados Unidos na década de 50 foi
muito maior, mas talvez lá, hoje, as empregadas domésticas negras ou brancas ou
mais comumente latinas, tem direitos reconhecidos e aqui?

Costumamos ver isso como algo que aconteceu no sul dos EUA e separamos
do que acontece aqui no Brasil. Eu estava lá sentada, na sala de cinema de
um shopping chic de Curitiba, vendo a sala lotada de senhoras muito distintas
da alta sociedade curitibana, todas brancas, com roupas caras e cabelos escovados,
e fiquei pensando... como será que essas senhoras tratam suas domésticas/diaristas? 
Será que o filme refletiu em suas atitudes, será que elas se viram como a personagem
Hilly? Acho que não, com certeza não se veem assim e espero realmente que sejam
diferente.

Hoje o preconceito tem outras nuances, não é mais só de cor (porque este ainda existe)
e nem só de classe, vamos dizer que hoje as empregadas estão mais espertas,
elas sabem seus direitos, nós temos medo das domésticas porque hoje elas podem ter filhos traficantes, não é assim que pensamos? Quem realmente são essas pessoas que
trabalham nas nossas casas, escritórios, escola? Onde muitas vezes nem sabemos
o nome, ah! é a tia da limpeza.

Por mais democrático que nosso país seja, ele ainda não conseguiu se livrar do ranço
da escravidão, ainda pagamos mal, tratamos as pessoas de classes inferiores como...
inferiores... Outro dia conversando com uma amiga comentamos como distintos são
os pisos dos shoppings, não é só shopping de pobre e shopping de rico, os pisos
separam classes, sendo geralmente o último para as lojas mais caras e onde menos
"pobres" vemos. E há shoppings como este que costumo ir ao cinema (porque é
mais tranquilo, passa filmes cult e a frequencia é de gente mais adulta), mas é
distintamente um shopping de elite. E lá eu me sentia hoje mais apartada que nunca
daquelas pessoas tão chics e eu tão simples. E elas me olhavam, não com curiosidade,
mais com certo desconforto talvez, de eu estar invadindo a sala de estar (ou usando o
banheiro da casa)... ou talvez seja eu, não me identificocom a sala de estar, eu gosto
mesmo é de sentar na cozinha, que é onde o melhor acontece...eu estava lá no cinema,
como a filha da empregada que tenho orgulho de ser.

O filme ainda abre uma outra discussão... as amigas... como é comum aquele
grupinho de amigas em que uma é o norte, que dita a roupa certa, o cabelo
certo, o marido certo... é só olhar em volta, ou olhar as suas amigas pra ver
se você não faz parte de um grupinho desses. Vi um convite de formatura
outro dia e fiquei triste, tantas mulheres se formando na faculdade, uma coisa
tão legal, mas todas, to-das saíram iguaizinhas nas fotos, o mesmo cabelo,
o mesmo sorriso... é a moda dizem, mas é a moda que vejo aqui, no sul do
hemisfério sul. Acho que não me enquadro, nunca tive o cabelo certo e muitas
vezes me recuso a sorrir... sou uma curitibana perdida mesmo...



3 comentários:

  1. OPAZ, ótimo texto, uma ida ao cinema que virou cronica social. E agora eu quero sabe que shopping é esse que vc frequenta! Eu vou sempre no MAIS PERTO, então já fui muito no AGUA VERDE e atualmente no CURITIBA.

    E claro que quero conferir o HELP.

    JOPZ

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  2. Valeu, obrigada.
    O Água Verde só tem filmes dublados, gosto do Curitiba que ficou bem charmoso depois da reforma e esse que fui é o do Novo Batel, só vou lá no cinema mesmo, ás vezes no café e ás vezes na casa de suco, ah e fui ao teatro umas 2x. É bom porque a frequencia maior é de terceira idade, já me sinto lá...rs, mas é um desfile de madames...rs, foi estranho vê-las assistindo um filme de empregadas...rs

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  3. ALOKOS, dublado é prakabar...

    aproveito para pedir sua valiosa ajuda para responder a um comentário nesse post...

    http://b1brasil.blogspot.com.br/2012/03/anjos-da-noite-despertar.html

    VALEUZ,

    JOPZ

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